A empresa conectada

Escrito por Claudio Gomes

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A empresa conectada

A estrutura básica de todo o ser vivo é uma longa e complexa cadeia de moléculas com informações em forma de códigos químicos – o DNA. Mas o que isso tem a ver com empresa, negócios e a internet?

Antes de começar a leitura vamos deixar algo bem claro para quem entenda no decorrer do artigo.

Interação com a empresa. É importante que haja comunicação com os responsáveis de áreas da empresa que não estão presentes no processo de implementação do e-SCM, já que esses profissionais podem trazer uma visão “de fora”. Pode ser algo óbvio que quem está envolvido com o projeto não consegue ver.

Analise os modelos de negócio de concorrentes ou de empresas que são “cases” de referência para iniciativas de e-SCM. Tente aproveitar o que pode se moldar às necessidades de sua companhia.

Defina a tecnologia a ser empregada. É preciso conhecer a constelação de soluções de SCM que existe no mercado. Qual se adaptará melhor em cada caso? Qual trará o melhor custo /benefício para sua empresa? As necessidades de uma grande corporação que já está estável são muito diferentes daquelas de uma pequena ou média empresa que cresce rapidamente.

Lembre-se: um produto ou serviço tem que ser concebido com foco no cliente final. Entenda o ciclo de vida de seu produto e veja em quais elos da cadeia de fato é agregado valor – e em quais se consome mais tempo e investimento do que ganhos. Elimine os segundos.

Vamos ao assunto a empresa conectada

O modelo de funcionamento que as grandes corporações terão dentro de alguns anos não será muito diferente. Uma empresa é uma extensa rede de relações com fornecedores, distribuidores, revendedores, prestadores de serviços, atacadistas e consumidores.

Quando todos estes membros de uma cadeia de valor estão perfeitamente conectados entre si, o conjunto passa a funcionar como um só organismo.

Orquestrar as ações entre as partes envolvidas, no entanto, não é um trabalho simples. A maior parte das empresas brasileiras ainda toca desafinada com seus parceiros de negócio.

Se um consumidor vai ao supermercado e só encontra 80% do que foi comprar, o estabelecimento está com um problema de baixa disponibilidade um dos sintomas visíveis a olho nu de falhas na relação com os fornecedores.

Quando isso ocorre, o supermercado está jogando fora uma chance de vender mais. Se o fato virar corriqueiro, será pior: o cliente provavelmente começa a fazer compras em outro lugar.

Este é apenas um exemplo simples da importância do que é conhecido como “supply chain management” (SCM), ou gerenciamento da cadeia de suprimentos. Um projeto caro e que esbarra na dificuldade de coordenar as ações entre a miríade de empresas que gravitam ao redor de uma grande corporação.

O que deve ficar claro, no entanto, é que em uma iniciativa desse tipo todos ganham. “Uma estratégia de cadeia de fornecedores sincronizada tem por objetivo criar valor para todos os participantes dentro da rede de relacionamentos, não apenas para a maior empresa envolvida”.

Não faltam ferramentas tecnológicas para ajudar as empresas preocupadas em interagir com seus parceiros comerciais. Antes de correr para as soluções de informática, no entanto, é preciso entender que tocar afinado com as outras empresas que influenciam no produto final não se trata de uma questão de tecnologia, mas de negócios.

Se fosse possível fazer isso com eficiência sem ajuda de software e sistemas, ótimo. Mas não é. A tecnologia da informação, sobretudo a internet, possui um papel fundamental nesse processo – daí o termo e-supply chain management (e-SCM), indicando o uso de recursos online para unir os parceiros comerciais ao longo da cadeia.

Claro que o grau de necessidade de interação não é o mesmo para todos os setores. Uma boa medida disso é saber quanto as aquisições pesam no balanço da companhia.

Os gastos com compras dos fornecedores variam de 2% a 3% do faturamento de uma empresa do setor financeiro, mas podem chegar a 60% nas indústrias de montagem. Este segundo grupo, no qual se encontram as gigantes do setor automobilístico e de aeronáutica, dá mais atenção para o SCM.

Retorno quase garantido

Do ponto de vista tecnológico, um projeto de SCM pode exigir investimentos pesados, custando milhões de dólares para grandes corporações e demandando um delicado trabalho de coordenação com os parceiros comerciais mais importantes.

Em primeiro lugar, a tecnologia não soluciona qualquer problema sozinha. Se a empresa não investir em treinamento para usar o sistema, aprimorar a logística e exigir o cumprimento de prazos, a solução de SCM será ineficaz. A subutilização dos recursos adquiridos é um problema comum.

Outras iniciativas geram resultados abaixo da expectativa simplesmente pelo fato de a direção da empresa não saber muito bem aonde quer chegar. Tropeços também ocorrem quando a companhia principal tenta impor uma tecnologia que os parceiros menores não têm condições de absorver.

Para as empresas ao longo da cadeia é interessante escolher um padrão de tecnologia igual ou facilmente compatível com o utilizado pela corporação principal, o que facilita e barateia os custos de integração.

Quando as ferramentas de TI são bem empregadas, os resultados não demoram a aparecer. A empresa consegue reduzir os estoques, conseqüentemente diminuindo a necessidade de capital de giro – algo especialmente importante em um país com juros altos.

Esta é uma decorrência direta de um melhor controle sobre a armazenagem, mas a lista de ganhos de um projeto de SCM vai bem além disso: redução de custos, maior velocidade, automação, capacidade de controle de qualidade, melhor relacionamento com os parceiros comerciais, capacidade de perceber mais rapidamente novas oportunidades e responder a elas.

Para as empresas menores há também a vantagem de reforçar os laços com grandes companhias.

Flexibilidade e sincronização

Um dos maiores benefícios de se ter o controle das relações com parceiros comerciais é a flexibilidade. Isso é fundamental em diversos setores nos quais ninguém consegue ter uma estimativa muito precisa de quanto o produto vai vender.

Se uma coleção de roupa vira moda, por exemplo, as vendas podem ser surpreendentemente grandes. Se não vira, pode encalhar completamente.

“É preciso ter capacidade de atender a um volume de procura que não estava previsto – para mais ou para menos”, afirma Colangelo, da Neoris. Se as vendas estiverem aquém do esperado é possível brecar toda a cadeia de fornecedores e diminuir os investimentos em produção.

Se o volume de negócios for maior do que o roteiro original previa, consegue-se avisar os parceiros comerciais e, assim, aumentar a produção para não perder a oportunidade de vender mais.

negocios na internet
Como se manter na internet

Grandes grupos multinacionais, que possuem uma ampla rede de contatos espalhados pelo mundo, hoje conseguem um grau de sincronização inédito com seus parceiros.

“A partir do momento que os laços se estreitarem vamos conhecer melhor o negócio dos fornecedores e eles conhecerão melhor o nosso negócio. Com isso, os dois lados ganham”.

Se o fornecedor não tem um bom serviço de frete e isso influencia em seu preço, você pode ajudar a conseguir um frete de menor custo e assim reduzir o preço da aquisição, ao invés de simplesmente pedir um desconto. Este é o tipo de vantagem – para os dois lados – que tem uma integração melhor.

O objetivo de tudo isso pode ser resumido em um único ponto: reduzir as ineficiências do processo.

Como medir os resultados?

Além dos ganhos de tempo e segurança ao controlar cada palmo da cadeia de valor, a economia é acompanhada dia a dia.

Crescente popularização

Apesar de elevados, os custos de um projeto de SCM vêm caindo. “O investimento ainda é alto, mas há três anos era mais caro. Hoje os preços estão mais realistas”.

Segundo estimativas da IDC, o mercado global de soluções de SCM é acima de 10 bilhões de dólares. O instituto de pesquisas acredita em um crescimento médio anual, quando movimentará muito acima 23 bilhões de dólares.

Níveis de integração

Há duas variantes de integração com os parceiros comerciais. A integração pode ser uma comunicação completa entre os sistemas das empresas envolvidas, sistema de gestão (ERP) com sistema de gestão. Ou pode ser algo bem mais simples, como o uso da internet para disparar um e-mail para possíveis fornecedores.

Um grande exemplo é a empresa Petrobrás a estatal também se preocupa com a integração na outra ponta, a dos clientes. A Petrobras comercializa produtos para companhias distribuidoras ou para indústrias pesadas.

Desde dezembro de 2000, existe uma ligação eletrônica entre as partes, que abrange os pedidos, quantidades, locais de entrega, gerenciamento de modalidades de transporte, gerenciamento da entrega, inspeções de laboratório. Tudo isso pode ser acompanhado online via internet, bem como a parte financeira, que inclui gestão de pagamentos, cobrança, limites de créditos, gestão de conta corrente.

Essa rede interliga milhares de clientes diretos da Petrobras.

O futuro

Nem sempre adotar um sistema de supply chain é questão de escolha. Quando uma grande corporação decide controlar toda a cadeia de suprimentos eletronicamente gera um efeito dominó em seus fornecedores, que ou automatizam e interligam seus sistemas ou perdem o cliente.

Só que muitas vezes as próprias corporações que comandam todo esse processo assumem os custos, pelo menos parcialmente – e não por caridade.

As empresas estão se convencendo que terão de arcar com os investimentos de tecnologia para interligar seus parceiros comerciais de menor porte.

“Os ganhos gerados compensam os investimentos e, se não for dessa forma, os parceiros podem não fazer a integração”. “Fora do Brasil, isso ocorre menos, porque fornecedores de pequeno e médio porte conseguem financiamento e recursos para se informatizarem.”

Boa parte das grandes empresas nacionais só agora começa a pensar na segunda fase. “Quase 90% das empresas que têm ERP funcionando ainda não colocaram soluções de colaboração”. “Existem projetos grandes em andamento no Brasil, mas todos em fase inicial.”

Quando um projeto de supply chain evolui pode chegar ao ponto de toda a rede funcionar quase como uma entidade única. Por meio da internet, as informações são compartilhadas e as decisões tomadas em conjunto ao longo da cadeia.

Essa tendência pode ser claramente percebida nas montadoras de automóveis, que muitas vezes trazem seus fornecedores para dentro da fábrica, em um modelo de condomínio.

Há quem acredite que essa interligação de cadeias de fornecimento poderá evoluir e dar origem a um cenário no qual grandes blocos de corporações de diversos setores, junto com suas redes de contatos, competirão com blocos rivais.

É possível, mas essa hipótese ainda fica no campo da futurologia. Hoje, a preocupação real das empresas ainda é muito mais simples: interligar seus sistemas da melhor forma possível com os parceiros comerciais mais importantes. Quem não conseguir – e esta é uma previsão bem menos arriscada – provavelmente não estará mais competindo quando o futuro chegar.

Conheça os termos mais comuns do universo de relacionamento com os parceiros comerciais:

e-collaboration – Termo usado quando parceiros comerciais que integram uma mesma cadeia produtiva (fornecedores, montadores, distribuidores, revendedores etc.) utilizam a internet para sincronizar suas ações. Um fornecedor pode ter acesso ao sistema de vendas de um revendedor e usar os dados coletados para calibrar sua produção. Todos os integrantes de uma cadeia de valor colaboram entre si.

B2B – Uso de tecnologias baseadas em internet para realizar negócios entre duas ou mais empresas.

e-marketplaces – Ambientes eletrônicos (portais) nos quais ocorrem as transações entre empresas. Podem ser públicos ou privados. No primeiro caso, assemelha-se a um “feirão” no qual todos negociam com todos. No segundo, a empresa-mãe só enxerga e faz negócios com seus fornecedores cadastrados.

Suplly chain management – Processo que leva à maximização do fluxo de produtos, serviços e informações ao longo de toda a cadeia produtiva, da matéria-prima até o consumidor final. Interligando os parceiros comerciais (fornecedores, distribuidores, prestadores de serviço), uma empresa pode ajustar a produção à demanda, controlar os níveis de estoque e antever problemas a tempo de encontrar alternativas.

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