G.R.E.S. UNIDOS DA WEB e o enredo: como manter uma operação saudável

2021 ano sem carnaval. Período pandemia mundial, porém os negócios online não podem parar.

Esse mês estou fazendo uma série de artigos sobre negócios online e como ter mudanças. E nesse período do #ficaemcasa veja como fazer o seu carnaval online. É um texto escrito um pouco diferente e de forma engraçada, mostrando o carnaval e o mundo dos negócios.

Primeira reunião: escolha do enredo

Todos reunidos: do presidente ao estagiário de redação. Todos com papel e lápis na mão, o presidente começa a sua fala. Apresenta um breve histórico da caminhada do site até aquele momento. Pula, talvez de propósito, todos os feitos (prêmios, campeonatos, globo de ouro…) das gestões anteriores. Enaltece todas as mudanças que fez para o último desfile.

Todos os presentes anotam tudo. Afinal, já sabem que virá pela frente um esforço hercúleo para o novo carnaval, pois as demais escolas também já fizeram os seus trabalhos de casa e virão com maravilhas da pirotecnia para impressionar na avenida.

Depois deste preâmbulo que nada servirá para o desenvolvimento do enredo, começa-se a falar nos temas propostos para o novo carnaval: uns acham que poderia ser “Foi um rio que passou em minha vida” outros, no entanto sugerem que seja algo como “Do luxo ao lixo”, mas há ainda os que preferem “Sei lá, Mangueira”.

É certo que o “presidente” não concordou com nenhum destes temas propostos. Afinal, presidente precisa mandar! Ele foi “eleito” para mandar em todos os que estão hierarquicamente subordinados ao seu ego.

E, do alto de sua sabedoria, decide! O tema escolhido é “Vamos gastar pouco, mas não vamos ter prejuízo”. Todos se entreolham e ficam boquiabertos… Como será que “ele” conseguiu sintetizar todas as ideias numa só? tão profunda que certamente ninguém vai conseguir desenvolve-la a tempo de entrar na avenida?

Segunda reunião: escolha do samba-enredo

Depois de uma semana em que cada um dos presentes na primeira reunião nem conseguiu fazer outra coisa direito a não ser pensar no samba-enredo (será?) voltam-se à sala para a reunião de escolha do sambista que irá desenvolver o tema do enredo para servir de “cordão” ou “espinha dorsal” (o que vocês acharem melhor) para o desfile na nova e iluminada avenida de 2021.

De novo, todos são chamados a opinar e, invariavelmente, após as primeiras palavras são interrompidos pela expressão uniforme e unitroante do presidente: “você não entendeu nada”! (será?) E novamente (e isto se repetiu nas 246 vezes em que cada componente da ala de diretores de ala se manifestaram) “ele” disparava todas as suas verbosidades sobre o tema. A cada explicação, as mesmas caras e bocas se faziam.

E isto ia deixando o “homem” mais enfurecido ainda. A cada nova “aula” mais agressivo se tornava. E nada de explicação adequada, nem um raciocínio voltado para o movimento da “velha-guarda” que teimava em desenvolver um samba-enredo de acordo com os anos dourados da pós-fundação da escola…

como fazer negocios no carnaval
Carnaval como continuar fazendo negócios?

Os representantes da “velha-guarda” foram obrigados a se calar diante de todos os argumentos usados pela presidência. Bom, pra resumir, cada uma dos diretores-de-ala teve a incumbência de desenvolver o seu próprio samba-enredo. Decisão sábia e salomônica! Marcou-se nova reunião com todos presentes (a ausência de qualquer componente não era aceita em hipótese alguma) para decidir o samba enredo.

Terceira reunião: escolha das fantasias

Chegou o grande dia. O dia que seria decidido o “visual” da escola! Aqui começa um grande “campeonato de egos”. Afinal de contas todos entendem de confecção, artes, histórias, futebol, praia, chope… E fantasia é assunto pra todo mundo dar palpite! Gente vocês não fazem ideia dos papos-cabeça que rolou naquela reunião: a explicação para usar a combinação roxo-verde era tão contundente quanto às para uso do vermelho-e-branco, azul-e-branco, amarelo-e-preto ou tantas outras.

A proliferação de ideias (até parecia “brainstorm” de multinacional) já consumira oito horas de reunião, cinco garrafas térmicas de café, duas de água quente, quatro caixinhas de chá e dois quilos de açúcar e trezentos e quarenta e cinco maços de cigarros das mais diversas marcas quando uma voz crescente lá do fundo da sala pergunta: quais as cores da escola?

Um baita silêncio se fez naqueles instantes que se seguiram. Parecia até minuto de silêncio no Maracanã em decisão de Vasco e Flamengo. Todos os rostos se voltaram na direção do presidente… O “homem” suou frio desta vez…

Mas como? Vocês não sabem? Então porque esse bate-boca todo? Mas porque, então o senhor não interrompeu isto? Bem, eu estava avaliando o desempenho da equipe como um todo. Estava avaliando como cada componente se relaciona com os outros e percebi que muita gente aqui.

Bem “doutor” estamos aqui pra resolver o problema das fantasias e não para avaliar como cada um “ferra” o outro. Então, se todos sabem que as cores da escola são laranja e branco.

Calma “cara”! Laranja, não: A-BÓ-BO-RA e branco! Pô, cara que diferença faz isto? Faz muita, “sangue-bom” para as televisões nacionais nem tanto (apesar de algumas terem equipamentos americanos e outras europeus) mas para os gringos isto faz uma “grande” diferença: o sistema de imagem deles é diferente: uns usam o NTSC, outros PAL-SECAM e ainda tem o problema de conversão das versões de cada um. Se não usarmos as cores da paleta padrão nossa escola vai aparecer com cores irreais para cada público. E o blábláblá rolou noite adentro.

Mais dois barris de chope e chegou-se a um consenso: prevaleceram as cores da paleta convencional, muito brilho (isto é essencial para refletir bem os egos-desenvolvedores). Quanto ao material que deve ser usado na confecção não se gastou muito tempo: im-pro-vi-sar com os materiais disponíveis em casa: nada de gastos com materiais de última geração (afinal custam muito dinheiro e a gente não tem tecnologia pra manipulá-los). Bem, mais uma reunião foi marcada.

Quarta reunião: as alegorias!

Finalmente vamos poder escolher a “comissão de frente”!

Finalmente vamos poder definir como a escola vai entrar na avenida. O resto é corre-corre! O resto é pra imprensa ficar entrevistando e os pedaços aparecerem sem brilho, com defeitos e caindo aos pedaços. Precisamos ter acertada uma comissão de reparos pois é ela quem vai tentar manter a escola desfilando até o final: ou é estandarte de ouro ou dispersão!

Para a comissão de frente foi decretada uma alegoria imensa, cheia de coisas piscantes, cores que de fundo lembram as cores da escola (mas, isso é assim mesmo), um pouco de mulher-pelada aqui, um holofote ali por detrás do arco com o nome da escola (bem grande pra todo mundo saber qual é a escola que está desfilando), mas vai sair bem bonita com todos os integrantes da diretoria desfilando na frente com suas melhores roupas (não há necessidade de padronização, não senhor). E todos proibidos de falar com a imprensa escrita, falada, televisada e webisada (afinal, não se poder correr certos riscos).

Bem tudo foi acontecendo mais ou menos de improvisos: arruma uma “gato” aqui, um “bacalhau” ali, um reforço de solda acolá e vamos mantendo os nossos “gatilhos” longe do grande olhar das arquibancadas. Bem que a Rede Globo tentou falar com o presidente. Mas ele não recebeu o pessoal. Nem o carnavalesco apareceu pro programa de debate com o pessoal das outras emissoras ali no “barracão do samba”.

E a escola foi pra avenida! Muitas chuvas e trovoadas quase ameaçaram o desfile.Mas, as abnegadas formiguinhas colocaram “tudo em pé” (só Deus (o lá bem de cima) sabe como!). E a escola foi passando.

O samba-enredo atravessado o tempo todo. Faltou som no carro de som. A principal alegoria (a da comissão de frente) cismava em “emperrar” e era difícil o pessoal fazer ela desfilar pela avenida. Volta e meia alguém precisava mexer nas engrenagens para ela andar mais um pouco. O resto da escola marcava passo para poder acompanhar o ritmo da primeira alegoria. E “embolava” por diversas vezes.

Bem, foi-se chegando ao final do desfile: a escola perdeu todos os “estandartes de ouro”; foi desclassificada pelo tempo do desfile, perdeu pontos por causa das alegorias quebradas, samba-enredo atravessado e queda da porta-bandeira quando fazia evolução diante dos juizes. E a escola acabou nos últimos lugares.

Pela primeira vez a escola foi desclassificada do grupo especial.

Lembre-se o seu negócio não para e sempre terá um vencedor e um perdedor. Faz parte do jogo.

Deixe um comentário